sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Curação - a arte de bem cuidar-se


Já terminei de ler o último livro de Christiane Ganzo e Denise Aerts, chamado CURAÇÃO - a arte de bem cuidar-se. O livro é recheado de conceitos que apontam para um viver mais saudável e que marca o trabalho do Espaço Terapêutico Bororó25. Nesse local, frequentando os grupos de auto-análise, recebi minha segunda certidão de nascimento. Tão indispensável quanto o primeiro - A vida como ela é para cada um de nós - o livro segue unindo poesia, filosofia e conceitos de psicanálise para municiar o leitor com as ferramentas necessárias ao mais saudável dos encontros - o encontro de si-próprio. As autoras descrevem situações cotidianas que caracterizam as diferenças entre um si-mesmo de um si-próprio; falam da importância do esquecimento - até das coisas boas, do contrário, o novo nunca será tão apreciado; traduzem um pouco do funcionamento do inconsciente e nos habilitam a lidar mais amigavelmente com aquela parte - a MAIOR - de nossas vidas, sobre a qual não temos nenhum controle. Há um capítulo que apresenta o diálogo dos sofrenildos - muito hilário - utilizado pelas autoras para demonstrar nossa maior habilidade em falar de sofrimento, do que para falar de alegria e contentamento. 
Recomendar a leitura desse livro tem para mim um triplo regozijo, com ele homenageio minhas sagradas amigas Denise e Christiane, compartilho com os demais as maravilhas que extraio dessas leituras e fico muito feliz com quem estou sendo (o meu si-próprio) depois que conheci a Bororó25.

* Saiba mais sobre si-próprio e si-mesmo em http://www.bororo25.com.br/

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Maitê Proença postou um viral na rede

Maitê Proença conseguiu postar um viral na rede. Mesmo sendo um sonho meu, até o momento secreto, não consigo invejá-la. Postar um vídeo no You Tube que rode o mundo e tenha milhares de exibições é uma façanha. Ninguém, que eu saiba, consegue dar a receita de como um vídeo se torna um viral. Na maioria das vezes, são cenas cotidianas, que caem no gosto das pessoas e, por isso, são assistidos e repassados por e-mail, espalhando-se como "vírus". No caso dela e do programa do GNT, a Saia foi bem Justa. Com dois anos de atraso, os portugueses descobrem um vídeo, exibido no canal, onde ela ridiculariza o povo português, chamando-os de "esquisitos". Não fosse isso, ninguém teria notado que ela chamou Sintra - um patrimônio paisagístico cultural da humanidade/Unesco - de "vilazinha" perto de Lisboa; ironizou um "3" invertido na soleira de um casa antiga, chamou o Tejo de mar e depois corrigiu, confundiu mosteiro com igreja, claustro com pátio e barganhou os 38 anos da ditadura de Salazar por pouco "mais de 20 anos". E para coroar a fanfarronice, cuspiu em um chafariz na entrada do Mosteiro dos Jerônimos. De volta ao programa, riram-se de um e-mail que Maitê enviou à produção do programa, durante o período em que esteve naquele país, onde afirmava não estar conseguindo enviar e-mails. Riram-se todas, de Waldvogel à Tiburi, comentando que estava na hora de Maitê voltar ao Brasil, pois estava se contagiando.

O fato teve repercussões internacionais, como devem supor. Desde o dia 13, se não estou enganada, Maitê tem dado entrevistas a televisões portuguesas pedindo desculpas, postou o vídeo de um "suposto" arrependimento em seu site e já recebeu apoio até de Hittler, em um vídeo-montagem que circula na rede. O personagem manifesta seu contentamento com a xenofobia e o etnocentrismo dela.

A um dos canais da televisão portuguesa, onde concedeu entrevista pelo telefone, Maitê repetiu inúmeras vezes que o Saia Justa é um programa de humor, que aquilo foi um brincadeira típicas dos brasileiros e que é preciso inteligência e senso de humor para compreender a brincadeira que ela fez. É a imagem, estilo Matrix, de um tiro saindo pela culatra. Maitê tentou, mas não convenceu o povo português. Disse que nós, os brasileiros, brincamos com o que temos afeto, desde a ignorância do presidente da república até a própria mãe. Os portugueses exigem sua retratação e ela quer voltar a ser recebida pelo País, onde tem ancestrais em comum. Um pedido de desculpas feito no mesmo tom frívolo das ofensas e que, ainda por cima, nos nivela por baixo. Sem trocadilhos.

O teor de suas explicações para os portugueses voltam ao Brasil com um gosto amargo, pois sabemos que o Saia Justa é tudo, menos um programa de humor. Aliás, eu desconhecia que Maitê fosse tão bem-humorada? Como um tapa de afogado, ela busca justificar atitudes grosseiras e de maus modos (como cuspir no chafariz), afundando-nos nesse mar de explicações estapafúrdias* e equívocos culturais e geográficos. Seu mérito, se há algum, é ter feito jus ao nome do programa.

* obg, Rosi, a palavra caiu como uma luva.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Presente da Eunice

video

Não chegou meu aniversário e já ganhei presente. Um vídeo, de alguns minutos, do filme O Circo (The Circus - 1928), onde Charles Chaplin assina roteiro, edição, trilha sonora e produção. Isso me fez pensar sobre a ideia cartesiana que temos sobre evolução. O cara é um gênio, dá um show de interpretação, tudo isso na época do cinema mudo. Não é à toa que ele ganhou um Oscar Especial da Academia por este filme. Uma boa pedida é assití-lo com as crianças, tenho que apresentá-lo a minha filha. Valeu, Eunice!

domingo, 31 de maio de 2009



Tô ficando com preguiça de escrever?
Não me ocorre nada tão aflitivo que mereça uma catarse?

Nunca encarei o ato como um dogma, como ato religioso. Eu escrevo quando tenho vontade.
Porque será que estou sem vontade, ou estaria sem assunto?
Acreditem ou não, custa-me escrever essas poucas linhas.

É fato que ando cansada, dormindo pouco, assustada com a dimensão dos fatos da vida. Ora avançando, ora recuando, ora... ora. Tomar a minha própria vida nas mãos é belo, porém assustador. São múltiplas as possibilidades, as responsabilidades, as perdas-ganhos, o aprendizado.
Duas coisas foram determinantes na minha vida, literariamente falando, nesseinstantemente falando... a crença de que não há vida após a morte e a angústia da própria.
Nessa batida (necrológica) só quero aprender o suficiente para viver bem, essa aqui.
Tendo escrito mais do que a vontade sustenta, despeço-me.

sábado, 2 de maio de 2009

Novos leitores de Feeds do blog

Foto de Alim Boeana, Dani people, papua.

Quando a gente começa a escrever um blog, não tem noção de quem irá ler... pois é, é mesmo!Graças ao google translate, este blog recebe mais e mais leitores de feeds.
Um abração aos meus leitores da Nova Guiné! Tô no twitter, também. Maior agito, confiram.
Eu só acho que o cachorro... Sei lá, me preocupou um pouco o focinho de enfado dele.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bloguinho da LuLiNet


Como faz, em quase todos os dias, a Louise fica a minha volta no computador. Meu irmão nos emprestou o pc dele, ele está morando fora de Porto Alegre e deve estar compadecido da nossa situação. Ela azucrina, aqui ao lado!

Instalamos o computador para ela, ao lado do nosso. Tive que comprar um mouse das princesas e não a levo ao centro da cidade, novamente, tão cedo (ufa!). Está saudavelmente imperiosa, do alto dos seus 5 anos. O mundo é dela e vai levar algum tempo para se convencer do contrário. tem adulto que ainda não chegou a essa conclusão.

Tudo estaria perfeito, no nosso mundo perfeito - entendendo perfeição como aquilo que está dando para ser e fazer, nesse momento - o conceito é fundamental, anotem.

Como eu dizia... estava perfeito, não fosse o fato de que o computador destinado ao lazer da Louise e à nossa abolição, resolveu engasgar e parar de funcionar quando quer. Quando abre até a página inicial, tranca.

Pode não parecer, mas há um propósito nessas coisas que, ainda, não sabemos explicar. No caso dela, o propósito de voltar a nos rodear quando estamos no pc, voltou com redobrada força.

E não há quem possa, pois fica a espreita de um descuido e lá está o dedinho dela dando uma "tecladinha". Sua vontade de imitar (se realizando com isso, obviamente) é tanta que, mesmo com o pc dela desligado, por vezes, ela fica teclando, pergunta o que estamos fazendo e faaaaala ao celular. - Oi, amada, tudo bom? Como é que tu estás, querida? E blá blá blá...

Hoje, depois das tarefas habituais, vim dar uma olhadinha por aqui e me surpreendo com sua pergunta: - Mãe tu vais trabalhar no teu blog?
A babaquice é toda minha, eu sei, não tinha "me ligado" que ela sabia o que eu fazia, assim tão pormenorizadamente.

Depois disso, começou a entoar seu mantra, em torno de mim "eu também queria ter um bloguinho", como é que se "trabalha no bloguinho?"

Então, pensei porque não? Entre tantas coisas que ela pode fazer, e algumas não deve, ter um bloguinho não ia lhe fazer mal... e, espero, nem a mim.

Vamos a isso, os tempo mudaram mesmo! Ela mexe no computador desde os 2 anos de idade. Assim como eu, provavelmente, escreverá melhor diante de um teclado - parece-me que a digitação acompanha melhor a velocidade do meu pensamento. Entendi isso quando percebi que, quando escrevo à mão, não obtenho a mesma desenvoltura. Pior que isso, não sei mais transportar minhas idéias, à mão, em papel.

O resumo dessa história é que fiz um blog* para ela, já tem um e-mail, também. As perguntas que me fez são pérolas, fui às lágrimas, de tanto rir. Ela queria saber como mandava o pessoal embora do bloguinho dela, agora que já estava cansada de escrever. Depois, queria saber quando ia chegar o e-mail que prometi lhe mandar, assim que a conta estivesse pronta. Só que olhou para porta, como se, a qualquer momento, ele fosse bater alí.

Escolheu as fotos, digitou um pouquinho e me incumbi de traduzir suas idéias e escritos para publicarmos o primeiro post, intitulado: Oi, pessoal.
Hoje, assinei uma sentença e cumpri meu destino. Preparei a concorrência e perdi horas prazerosas aqui no blog, pelo menos, enquanto não mandamos o pc dela para o conserto.
E vocês não queiram saber como isso me deu prazer.
*quem clicar no link desse post vai parar lá, onde ela acomoda "o pessoal".

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Faxina no sótão


El sueño- La cama 1940- Frida Kahlo


Hoje resolvi ir ao sótão fazer uma faxina. Nunca vou lá, o lugar me dá arrepios.
É como todo mundo faz, vai juntando coisas lá, fica de arrumar depois e nunca volta. Depois de algum tempo, só de lembrar o que há por fazer, desanima.
Mas hoje é diferente, estou preparada para o que virá. Tem coisas que a gente finge não ver mas, intimamente, calcula a dimensão.
A porta tava emperrada pelo pouco uso, entrei. Que bagunça, cheira mal...
Havia muita coisa espalhada pelo chão. Era impossível andar ali. O jeito foi olhar coisa por coisa para ir abrindo caminho.
Em meio a tantos embrulhos, de todos os tamanhos, começei pelos menores.
A primeira caixinha, envolta em papéis de embrulho com motivos infantis. Isso deve ter uns 35 anos, minha nossa!
Lá dentro estava eu, contrariada, chorando.
Era 1977 e não fui eleita a 1ª prenda da escola, meus pais não foram suficientemente ricos ou bastante engajados para amealhar a maioria dos votos.
Pior que isso, havia um lembrete, dentro da tal caixinha. Ele dizia que: quando a eleição só considerava os atributos físicos das candidatas, eu também não ganhava.
É verdade. Nem sabia que ainda guardava isso aqui, pra quê, porquê?
Sendo capaz de olhar para mim, agora, do modo como sou, reconheço que não houve injustiça. Vai fora, essa caixa de lamento!
Nesse momento, já consegui acomodar melhor o pé no chão, abriu-se um pequeno espaço no apertado e fétido cômodo.
Olho na direção do outro pé. Lá está uma outra caixa. Vou abrir... essa é das grandes, pela poeira que acumula deve estar aqui, há muito tempo. Vejam só, estou abraçada a um diário. Desses que as meninas escrevem suas coisas íntimas. Minhas primeiras confissões, talvez. Estava com o cadeado arrombado. Eu choro.
O que teria acontecido?
Revirei melhor o pacote para tirar o pó da memória e lembrei o motivo do pranto. Minha mãe havia rebentado o cadeado e lido minhas coisas e eu chorava de ódio de mim.
Engraçado, pensei que tinha guardado essas caixas todas em um só baú, bem grande, que chamei de “um milhão de motivos para odiar você, mãe”. Como veio parar aqui, na entrada, empatando a porta do sótão?
Essa não vou jogar fora, deixo aqui, em cima dessas outras e depois reacomodo todas, novamente, dentro do baú. Vou mudar essa etiqueta, melhor chamar de “lembranças da mãe que tive“. Assim fica melhor!
Ahhh, e não posso esquecer de passar um paninho nessas caixinhas, estão pegajosas como visgo. Difícil desgrudar delas.
Esse novo jeito de acomodar velhas lembranças me deixou mais confiante para continuar a faxina, sinto a planta dos pés tocando o chão e aos poucos o corpo acha um novo ponto de equilíbrio. Me movo com mais facilidade em meio a tantos pacotes, caixinhas e embrulhos diversos.
Reconheço, com alguma dor e certo alívio, que não vou chegar ao ponto mais profundo desse sótão. Não há boa visibilidade em seus cantos agudos, a luz é pouca, para tanto.
Isso não me incomoda, é um sótão. Aqui, a vida já foi vivida, não tem muito que fazer.
Entre distintos objetos, chama minha atenção um certo bercinho. Debaixo de muita poeira e crosta, percebo que é um berço finamente decorado, estilo rococó. Por que isso está aqui, de quem é? Já “passei a diante” os utensílios de bebê que foram dos meus filhos, sempre faço isso logo que deixam de servir.
Me aproximo do berço. A impressão que tenho, a medida que me aproximo, é de que continua ali, a espera de um bebê que não veio. Ao seu redor, álbuns de fotos que nunca foram tiradas, lembrancinhas nunca distribuídas, um chocalho que nunca saiu do plástico.
Nesse momento, ouço ecos de diálogos que nunca ousei ter com ninguém. Uma voz pergunta:
- Quem é esse bebê lindo e saudável, nesse berço forrado?
E me escuto responder:
Esse é o bebê que sonhei ter e nunca nasceu... teve mil nomes e tinha o rostinho feliz de todos os bebês das revistas.
Os soluços do choro me trazem de volta à realidade e fazem coro com esse lamento que, por não ter nascido, nunca pode ser sepultado.
Esse bercinho está aqui, desde quando, adolescente, sonhei com a vida que teria, só que a vida – vivida - não pode me reconciliar com essa imagem perdida.
Olho para ele e percebo que é tão somente um brinquedo de criança e, talvez, minha filha o queira para suas brincadeiras de faz-de-conta. Ela, certamente, se encarregará de dar fim a ele. É o destino inexorável dos brinquedos.
Abriu-se mais espaço, um sopro de brisa leve percorre o ambiente. Se minhas pálpebras fossem cortinas, a cada piscar de olhos, deixariam entrever melhor o que há além da janela, que se abriu agora.
Conquisto um novo centro de equilíbrio e um novo peso para estrear novas piruetas, agora, o meu corpo é de baile.
A idéia de sair valsando me faz lembrar que, em algum lugar, por aqui, está um vestido de noiva. Ainda está em fase de “provas” , toda vez que penso em terminar, o meu manequim já mudou (risos). Melhor deixar onde está.
Vou terminando essa faxina, juntando uma dezena de fotos minhas, espalhadas pelo chão. Me achava tão avassaladoramente horrível que nunca as coloquei em álbum nenhum.
Sinto uma certa nostalgia vendo, nas imagens refletidas, que meus olhos não me olhavam com amor.
É fato. E, em decorrência disso, a foto mais recente, mesmo odiada, era, sempre, melhor que a última. E, assim, passaram-se vários filmes, sem que tivesse cuidado algum com a moça da foto.
É a mim que estou juntando em cada foto rejeitada e posso, senão mudar esse olhos que me fitam, olhá-las com a devida ternura. Eu amo quem fui, com o amor que se tem por aquilo que se conhece. Um amor que pode, se, perdoar.
Nesse instante, uma velha caixinha de música, exibe a bailarina a girar. Onde estava isso? Meu pai perdeu você em um avião, vindo de Manaus.
Olho, então, na direção de uma estante, onde guardei todos os presentes que meu pai me deu. Em meio a bagunça desse sótão, eles resistem lá, estrategicamente dispostos.
Quando criança, aninhada em seus braços, conversávamos, por horas, sobre os brinquedos que perdeu pelo caminho e o conjunto “Lee” que ele via nas lojas e nunca teve dinheiro para comprar. Descrevia com tal perfeição e riqueza, os detalhes desses “mimos”, eu os sentia tão meus, que vieram parar aqui, embalados pela magia desses momentos.
A caixinha insiste em fazer escutar sua música, a bailarina rodopia sem parar... Alí, bem ao lado, jaz o velho espelho que eu trouxe dos contos de fadas para me mirar.
Quantas perguntas sem respostas, espelho meu? Pela última vez vou indagar.
-Quem sou eu?
Ele responde:
Você não foi rainha, princesa, nunca foi “a” melhor;
Você foi só você, mesmo quando não quis ser.
E aos trancos e barrancos, chegou até aqui
Sou eu quem te pergunta
É, ou não é, um prazer se conhecer?

É espelho, é bom ver que você, agora, me reflete. Finalmente, achei - a minha - resposta certa. Não é um “felizes para sempre” mas, é um bom começo.
Se aproxima o intervalo da faxina, porque ela nunca estará terminada. Já posso caminhar em meio as minhas lembranças, ora chorando, ora sorrindo. Esse é o meu território, há ninguém é dado vir aqui. Somente eu conheço a água que brota do fundo desse poço.
Caminho em direção à porta. Cada passo meu tem 39 anos de andar. Me permito o distanciamento, com olhares de “até breve”.
Ao lado da porta há um pequeno quadro, não havia percebido quando entrei.
Está torto, preciso fazer um reparo. Inclino para a esquerda, um pouco mais à direita.
Um passo atrás e confiro, está aprumado!
Ficou bem, agora, lê-se melhor a pequena inscrição.
Perto, bem perto, para ler o escrito alí: “Mãe... já posso te conceber como és”.
Fecho a porta. Vou partir.
Minha vida me quer e eu a ela.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Conspiração Totalmente Pancada




Já assisti Madagascar, umas mil vezes, por conta da alegria de ter uma filha pequena. Foi em uma dessas vezes que reparei em um detalhe que havia passado despercebido. Ou, cujo sentido, só pude alcançar, agora.

Na cena que aparece aí no detalhe, há um diálogo entre a zebra, Marty, e o grupo de pinguins, que é fascinante, do meu ponto de vista. Os pinguins tentando fugir do zoo, dizem ao quadrúpede: "... nosso lugar não é aqui, não é natural. Isso é uma conspiração totalmente pancada! (...) Estamos indo para o espaço aberto da Antártida, para a natureza".

Da última vez, ouvir isso pareceu explicar o momento que estou vivendo, a forma como me sinto aliviada por reencontrar a minha própria natureza.

Entendi que há diversidade suficiente na nossa humanidade para que não haja um só caminho a seguir, menos ainda, se ele foi ditado pelos outros.

Levei muito tempo sendo coisas que não gostava, por medo de fugir do "zoo". Todavia, uma sensação de desconforto sempre me acompanhou. Tudo parecia normal, eu é que não me enquadrava. Pensava estar errada, pensava não servir para coisa alguma.

Foi quando parei para pensar na minha natureza, e decidi ir embusca dela, que me deparei com a tal conspiração, to-tal-men-te, pancada.

Mal comparando, acho que é uma boa metáfora da matéfora da caverna, de Platão.
A diferença é que, para além do mito, a tal "verdade" é diferente para cada um de nós, ou melhor dito, o caminho da natureza de cada um tem um norte diferente.

Aprisionar ou afastar alguém da sua natureza... corrigindo -----> se aprisionar ou se afastar da sua própria natureza (sim, porque somos protagonistas da nossa história, não é?) é o atalho mais rápido para o sofrimento.
Ao contrário dos animais, nós temos escolha. E cada vez que a gente escolhe, arca com as consequências mas, compra a nossa vida de volta.
Quando nos afastamos da nossa natureza, seja para agradar alguém, seja por acreditar que nossa felicidade está onde ela nunca morou... estamos diante de uma conspiração totalmente pancada.


É fácil saber quando caímos na cilada da CTP, o desconforto e a insatisfação são nítidas. Você vai se perguntar mil vezes onde errou, se sentir culpado, talvez?
Fizemos tudo que indicava a bula e mesmo assim nos falta algo. Esse é o sinal! Começe a cavar.
Quem sabe possamos reconhecer uns aos outros em nossa própria natureza?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Uma vida feita de escolhas



A vida de cada um de nós é feita de muitas escolhas, binárias ou não. O fato é que, ao longo de algum tempo, você deixou para trás diversas opções não assumidas.
Se fosse possível esboçar o caminho trilhado, identificando as inúmeras escolhas e renúncias que fez durante a vida, teríamos a imagem de uma árvore decisória, com um tronco único (você, protagonista de sua vida), de onde brotam galhos (suas escolhas iniciais), que, por sua vez, originam mais e mais galhos.
Não obstante, sua árvore terá galhos interrompidos, na mesma proporção das opções não escolhidas, tantos que cada forquilha representa o limite entre o vivido e o deletado.
Tá bem, já temos algo em que pensar. No fim, é tudo binário, a vida presente e a vida ausente. E vamos combinar que não há uma ínfima possibilidade de saber-mos o resultado, se voltássemos a uma das forquilhas e seguíssemos outro galho, outro caminho. Um bom exemplo disso é o filme Efeito Borboleta. Toda decisão, ainda que bem pensada, gera um cem número de consequências, sobre as quais não temos o menor controle.
Desse modo, se a sua vida tá boa, você está realizado, tudo certo, fez as melhores escolhas (será?). Se a vida não tá assim "uma brastemp", você sente que lhe falta algo, não se encontrou... pode pensar que errou de galho e que, em algum lugar dessa árvore, estaria a opção correta (será?). Não há segurança científica, nem empírica, nessas suposições. Não sabemos o que será e nem o que teria sido! Ainda bem, não é? Eu não sei você, mas eu chamo isso de liberdade, vida sem culpa. Se a ausência de controle sobre os fatos da vida pode, por um lado, parecer frustrante (e, é), por outro, nos libera do ontém, brindando-nos com um feixe de novos galhos por expandir.
Até aí, vamos bem, se (há sempre um "se") você chegou inteiro até aqui. Explico.
Suponhamos que, ao fazer as inevitáveis escolhas, você soube abrir mão do que não escolheu, do que perdeu, do que não viveu. Contrário disso, seria ter se abandonado, um pouco, em cada bifurcação, forquilha, por conta das expectativas que não foram realizadas.
Quando não aceitamos nossa história de vida, vivemos pensando em voltar lá atrás para modificar o que passou e, assim, estamos velando nossos cadáveres eternamente.
Desse modo, sua árvore adoece e jamais saberá o que havia guardado na ponta de um galho qualquer, talvez ...um lindo e carnoso fruto.

Tortura esportiva

Me intriga esse negócio de pesca esportiva. Vi um programa na tv, dia desses. Pode pescar mas não pode levar. Mas que agonia que dá.

Atira a isca na água, "trabalha a isca" que consiste em ficar saculejando e puxando a linha ao mesmo tempo, para atrair o peixe.

Depois que o peixe, literalmente, se engancha no anzol, eles o tiram d'água. Aí começa o que chamei de tortura.

Os "desportistas", com seus petrechos, usam uma espécie de alicate (boga-grip) na boca do peixe para mantê-lo imóvel e, após, retiram o anzol, ainda com o peixe imobilizado. O tal anzol sai lá do fundo. Não vi sangue, mas a sensação não é agradável. Imagina para o bicho.

Enquanto ele mostrava o peixe nas mãos, dando detalhes da espécie, da cor, do peso o peixe ficava enchendo e murchando feito um balão. Já repararam como o peixe ansia quando está fora da água? Dá pra sentir o ar que lhe falta.

Minutos de agonia. E o cara não para de falar:

- Um dourado de cor diferente do último que encontramos, olha só... que interessante. É uma maravilha da natureza...blá, blá, blá.

A essas alturas, já nem sei do peixe, quem está quase sufocando sou eu e penso me ouvir gritando: Larga esse peixe aí, amigo, por favor!!!!!

Aí, ele larga. Se não houver, é claro, uma foto para registrar, com estilo, esse momento. Sabe como é, pescador tem fama, né? E na era digital eles querem documentar a façanha, mesmo que empreitada tenha ocorrido em um mísero laguinho de pesque-e-pague. Putz!!!

O peixe assim que é imerso em seu habitat na-tu-ral, de onde não deveriam tê-lo tirado - ele não é o Nemo - fica imóvel por uma "eternidade" de 3 segundos. Tempo suficiente para que eu pense que ele, assim como eu, não aguentou o gratuito martírio.

Sorte, após a espera angustiante, ele parece recobrar-se do desmaio e se afasta mostrando toda a sua gratidão, tipo nem me viu.

E assim, o show trash prosseguia, com o desfile nauseabundo de puxa-pega com o alicate-desentranha o anzol- peixe arfando-observações nonsense- eu sufocando- desmaio-foi embora...ufa!

Eu entrei em alfa, nas semanas que se seguiram a isso... tem alguma coisa fora do lugar aí, não tem? Só porque soltam o peixe na água dá pra chamar de esporte? Isso é mentalidade ecológica? Sei não... vai fazer mergulho, amigo! Não sou a defensora dos peixinhos, também, não serei sua detratora, me interessa, sim, é pensar na nossa humanidade. Deixar um peixe nesse estado aí da foto, é tão fátuo, perverso e gratuito... quanto enfiar o dedo na cloaca da galinha pra ver se tem ovo, melhor se tratar, talvez, tenha cura.