quinta-feira, 2 de abril de 2009

Uma vida feita de escolhas



A vida de cada um de nós é feita de muitas escolhas, binárias ou não. O fato é que, ao longo de algum tempo, você deixou para trás diversas opções não assumidas.
Se fosse possível esboçar o caminho trilhado, identificando as inúmeras escolhas e renúncias que fez durante a vida, teríamos a imagem de uma árvore decisória, com um tronco único (você, protagonista de sua vida), de onde brotam galhos (suas escolhas iniciais), que, por sua vez, originam mais e mais galhos.
Não obstante, sua árvore terá galhos interrompidos, na mesma proporção das opções não escolhidas, tantos que cada forquilha representa o limite entre o vivido e o deletado.
Tá bem, já temos algo em que pensar. No fim, é tudo binário, a vida presente e a vida ausente. E vamos combinar que não há uma ínfima possibilidade de saber-mos o resultado, se voltássemos a uma das forquilhas e seguíssemos outro galho, outro caminho. Um bom exemplo disso é o filme Efeito Borboleta. Toda decisão, ainda que bem pensada, gera um cem número de consequências, sobre as quais não temos o menor controle.
Desse modo, se a sua vida tá boa, você está realizado, tudo certo, fez as melhores escolhas (será?). Se a vida não tá assim "uma brastemp", você sente que lhe falta algo, não se encontrou... pode pensar que errou de galho e que, em algum lugar dessa árvore, estaria a opção correta (será?). Não há segurança científica, nem empírica, nessas suposições. Não sabemos o que será e nem o que teria sido! Ainda bem, não é? Eu não sei você, mas eu chamo isso de liberdade, vida sem culpa. Se a ausência de controle sobre os fatos da vida pode, por um lado, parecer frustrante (e, é), por outro, nos libera do ontém, brindando-nos com um feixe de novos galhos por expandir.
Até aí, vamos bem, se (há sempre um "se") você chegou inteiro até aqui. Explico.
Suponhamos que, ao fazer as inevitáveis escolhas, você soube abrir mão do que não escolheu, do que perdeu, do que não viveu. Contrário disso, seria ter se abandonado, um pouco, em cada bifurcação, forquilha, por conta das expectativas que não foram realizadas.
Quando não aceitamos nossa história de vida, vivemos pensando em voltar lá atrás para modificar o que passou e, assim, estamos velando nossos cadáveres eternamente.
Desse modo, sua árvore adoece e jamais saberá o que havia guardado na ponta de um galho qualquer, talvez ...um lindo e carnoso fruto.

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